quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Reino Desencatado

    
Era uma vez um reino desencantado, onde, há muito tempo atrás - na verdade, não somos tão velhos assim - existia um povo cheio de convicções, que não cedia às pressões e que estava disposto, até, a perder sua vida por amor daquilo que acreditavam.
Ora, se era um reino desencantado por que eles tinham tanto prazer em viver?
Se suas convicções lhe custariam a vida, porque continuar vivendo nesse reino?
Na verdade o fato é que essas pessoas sabiam quão miseráveis eram e de que modo assombroso e totalmente amável foram salvos.
Sabiam que se não fosse a Graça de Deus estariam condenados a morte eterna.
Para eles o mundo havia perdido seu encanto;
Para eles, nada podia comprar o que gratuitamente haviam recebido.
Para eles, morrer servindo a Cristo, era a forma mais justa de viver uma vida que já não mais os pertencia.
Quem são esses para quem a própria vida havia perdido o valor a ponto de se importar mais com o próximo do que consigo mesmo?
Quem são esses que chegaram ao ponto de dizer que a verdadeira e imaculada religião para com Deus é: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.
Quem são esses que perseveravam unânimes todos os dias na casa do Senhor, e partiam o pão de casa em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração?

Onde estão aqueles que seu nível de intimidade com Deus não era medido pelo que tinham ou pelo número de orações respondidas e, sim, pelo quanto O serviam em amor?
Tenho saudades do futuro porque sei que passarei a eternidade ao lado do meu amado, mas enquanto estou aqui estou iludido com esse mundo e as facilidades que a  "religião" me oferece, o que tenho feito?
Na verdade, com tudo o que temos e ganhamos, estamos perdendo tempo e oportunidades...
Amar a Deus sobre todas coisas é também amar Sua vontade acima da condição em que vivemos.
Será que vivemos por nós através Dele? Ou vivemos por Ele e para Ele?
Vivo num Reino Desencantado porque suas cores já não me chamam mais atenção, porque os seus fascínios perderam a força, meus olhos já não brilham mais quando o vejo.
Hoje, os necessitados ganharam cores, hoje, o impío tem movido o coração dos justos a amar e, o órfão, tem brilhado aos olhos dos filhos da justiça.
Vivemos numa sociedade tão permissiva que não é necessário termos mártires. Mas é nossa obrigação termos o coração de um mártir.
Se não for assim que sentido tem a vida? Se essa vida que hoje vivo, vivo por causa Dele, porque não viver então somente para Ele?
Não fomos criados para a independência, fomos gerados para uma viva esperança, esperança de um dia vê-Lo assim como somos vistos.
Papai ama a intimidade, e gera a esperança de ter-nos como no dia da criação: inteiramente para Ele.
Na verdade essa busca desenfreada por conquistas e realizações a qualquer custo é saudade do Éden, saudade de ser completo e realizado Nele, saudade do colo do Papai.
Quanto mais perto, menos rejeitado. Quanto mais perto, menos iludido com o mundo. Quanto mais perto, mais apaixonado e assim conhecendo mais Seu coração.
Então numa fração de segundos vislumbramos quanto amor Ele tem por nós e o quanto se importa com os seus, haja vista com aqueles que ainda não O confessaram...

Ah, mas quando o grande dia chegar, seremos reconhecidos pelo olhar, pelas mãos calejadas e por um coração incendiado.
Imagino-O com um sorriso nos lábios e os olhos marejados de uma santa saudade, vindo ao nosso encontro com braços fortes num abraço apertado, sem dizer nada, como quem quer dizer: Valeu a pena filho!
...Ah, quando o grande dia chegar...
Tenho saudade do futuro!
Naquele dia terá valido a pena todo sofrimento, terá valido a pena ter negado a si mesmo, terá valido a pena aqueles que perderam suas vidas num campo missionário, terá valido a pena a rejeição dos homens, terá valido a pena não ter conquistado tudo o que queríamos por querer servi-Lo intensamente, terá valido a pena ser fiel!!!

Se ao chegar no final de minha vida eu talvez perceber que não possuo nada em minhas mãos, saberei então que não poupei nada e tudo entreguei por causa do meu amado!
                                                             
      Peter Quintino

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